5º Capitulo- Estadia

Eu estava assustada, por momentos achei que conhecerem o André não chegava para não nos matarem com as armas que tinham em suas mãos.
-Entrem.- Ordenou um rapaz alto e moreno que estava num portão de uma das casas. Dando-me alivio  que penetrou no meu corpo.
-V, tudo bem?- Perguntou André entrando.
-Vai-se andando.- Disse com um sorriso sarcástico apressando-nos, visto que o pessoal que estava no carro não tardou a vir também.
A rapariga que eu tinha visto no telhado vinha agora  em nossa direcção, seus olhos azuis com cara de poucos amigos. Deu um meio sorriso e dirigiu-se para o André abraçando-o.
-Pensei que tinhas morrido.- Desabafou com alivio.
"Namorada" foi logo o que eu pensei.
-Desculpem, mas se calhar nós vamos indo.- Interrompeu Fernando puxando-me.
-Porque não ficam até de manhã, de dia será mais fácil fugir aquelas coisas.- Aconselhou V. .
-Ele tem razão, é melhor ficar até de manhã.- Concordou António.
Dirigindo-se a V., André perguntou:
-Onde está a minha mãe?
Todos se calaram e ficaram com um ar sério. Nós recém chegados não sabíamos o que se tinha passado mas bom não era.
Eu aproximei-me do André e pus a minha mão no seu ombro.
-Desculpa André, não ouve nada que pudéssemos fazer.- Disse Anabela um pouco desconfiada em relação  a mim.
André não teve reacção por segundos, então tirou a minha mão do seu ombro e afastou-se sentado-se num banco de jardim.
-Ok, ficamos até de manhã. Até porque a Marina precisa de comer e descansar.- Afirmou Fernando.
-Sabes do que preciso? Que não me trates como uma criança.- Protestei, ouvido Diogo a rir de mim.
-Desculpa.- Declarou Fernando mais amável. -Tu és a minha irmã, eu preocupo-me.
Pude ver pela cara de V., que ambos partilhavam a mesma opinião.
Olhei para André e aproximei-me perguntando:
-Não queres ir comer?
-Não, obrigado.- Disse com uma voz tão triste que até a mim me custava.
-Ok... Olha vais ver que tudo há-de melhorar.-Confortei-o.
"Só não sei como." Pensei.
-Vai lá comer. Eu fico bem.- Afirmou com um pequeno sorriso.
Andei para o interior da casa. Esta era composta de paredes brancas e estava um tanto desarrumado, calculo, que devido à sucessão de acontecimentos.
Olhei para a sala, do corredor onde estava. Na sala estava um grupo de pessoas, na maioria homens, a mexer nas armas e munições.
Continuei a percorrer o corredor chegando à porta do fundo. Pude ver Anabela a passar à minha frente com um andar rápido.
Na cozinha, também desarrumada, estava outro grupo de pessoas.
-Será que está a acontecer em todo o país?.- Perguntou um homem.
-Se ao menos a TV funciona-se.- Disse uma nova voz.
À medida que fomos entrando o grupo de pessoas ia reparando na nossa presença.
-Quem são estes?- Alguém perguntou.
-São visitantes.- Disse V abrindo caminho pelas pessoas junto à porta.- Sirvam-se .
Depois da refeição indicaram-nos uns quartos onde pudéssemos descansar. Mas para ser sincera eu não consegui pregar olho, tinha tantas coisas na minha cabeça. As imagens daquelas criaturas, não sabia como estavam os meus pais e o André que acabara de perder a mãe. Eu esperava que tudo não passa-se dum pesadelo e que estivesse pronta a acordar na cama do meu quarto. Mas estava demorado e quanto mais tempo passava mais certezas tinha do que se passava era real e não apenas um sonho.
A noite foi longa, de manhã senti-me cansada, todos os meus músculos estavam fracos.
Levantei-me e fui lavar a cara. Aqueles monstros ainda vagueavam na minha cabeça e fizesse o que fizesse eles não queriam.
-Tudo bem?-Perguntou Anabela, ao pé da porta.
-Sim, só cansada.- Disse.
-Não conseguiu dormir, eu também não.
-É, ainda custa acreditar que tudo isto está a acontecer.- Afirmei olhando-me no espelho da casa de banho.
-Pode querer. Eu vou tomar o pequeno almoço, quer vir?
-Já lá vou ter.- Respondi.
Abri a minha mochila, que ainda tinha do aeroporto e vi que ainda tinha as garrafas de água e a comida.
Do nada comecei a chorar compulsivamente. "Isto só pode ser um pesadelo" Pensei.
Era muito para uma menina que havia sido protegida pelos pais e pelo irmão a vida toda. Nunca tinha passado por nenhuma situação difícil, quanto mais isto. Zumbis, era coisas de filmes não da vida real. Era absolutamente inacreditável o que estava acontecer comigo e com toda aquela gente.
Um barulho chamou-me a atenção, enxuguei os meus olhos e  sai do quarto silenciosamente até a fonte dos ruídos.
-Ah...- Declarei aliviada- És tu.
-Fiz um pouco de barulho a mais.- Desculpou com uma cara cómica Anabela.
A cozinha estava completamente inundada pela luz solar, pelo ar sentia-se o cheiro a torradas e café. Por momento parecia que tudo estava normal.
-É servida?- Perguntou Anabela com um prato de torradas na mão.
Tirei uma e agradeci servido-me também de uma caneca de café.
-Posso pedir-te um favor.- Anabela fez sim com a cabeça.- Trata-me por tu.
-Como quiser...es.
-Então tu e André, são chegados?- Perguntei com cuidado.
-Crescemos praticamente juntos...
"Namorados já estou a ver tudo" pensei.
-...ele é como irmão para mim.
-Irmão!- Quase me engasguei.- Pensei que fossem algo mais... como namorados, ou assim.
Anabela olhou com um olhar divertido.
-Não somos só amigos, bons amigos.- Concluiu.
-Dá para ver.
Durante alguns minutos estabeleceu-se um silêncio desconfortável do qual eu sentia uma necessidade de quebrar.
-Tu e o teu irmão, tem cara de quem está bem na vida. Estou errada?- Anabela adiantou-se.
-Estás certa nossos pais são ricos. Ambos herdaram algum dinheiro mas muito do que temos agora foi ganho por eles.
-Então como é ser a menina rica?
- Eu não sei... quero dizer as minhas amigas sempre deram mais importância ao dinheiro do que eu. Acho que se pode mesmo dizer que sou a típica menina rica que não sabe como o mundo é difícil porque os seus pais tiveram sempre a protege-la. Ainda que isso agora não tenha qualquer importância porque o dinheiro não me ia ajudar nesta situação.
- Pensas mesmo isso? Quem achas que vão ajudar primeiro? Nós ou vocês que tem dinheiro.- Anabela estava a ficar com seus olhos vermelhos de tentar não chorar.
-Sinceramente. Acho que ninguém tem probabilidades dos ajudar, não com isto que está a acontecer.- Exprimi a minha opinião.
Anabela não falou mais, saído da cozinha logo em seguida.
"Será que fui desagradável?" Perguntei a mim mesma perante a reacção de Anabela.
Acabei o café e a torrada e juntei a minha caneca à loiça que se começava a amontoar. Peguei na esponja e lavei tudo o que estava no lava-loiça de metal.
-Oi.- Saltei de susto.
-Estás melhor?- Perguntei a André.
-Sim e obrigado.- Disse olhando com aqueles olhos azuis esverdeados.
-Porquê?- Questionei confusa.
-Por me  teres trazido aqui. Se não fosses tu provavelmente ainda estava naquele aeroporto ou ...-"Morto" Completei mentalmente.
-Não tens que agradecer.- Afirmei com um sorriso.
-Tenho sim.- André aproximou da bancada ficando a uns 40 centímetros de mim.
E os olha-mo-nos por longos segundos ou até minutos num silêncio desta vez nada perturbador.
Anos pareciam passar enquanto nos olhávamos.
-Oi pessoal.- Interrompeu Diogo.
-Dormiste bem?- Perguntei agora virada na sua direcção.
-Que nem um anjinho.- Afirmou divertido.- A sério parecia que nem tinha acontecido nada.
-É, nós acreditamos.- Respondeu André a rir.
Enquanto André e Diogo comiam pude ouvir piadas contadas por o rapaz de cabelos loiros. Os três rimos descontraídos esquecendo o cenário horrível espalhado pelas ruas de Lisboa e o motivo pelo qual estávamos todos reunidos naquele mesmo lugar.
-Marina.- Chamou Fernando.
Virei-me para a porta instintivamente.
-Estás pronta?
-Para quê?
-Para irmos embora.- Tal informação apanhou-me de surpresa.
-Ir embora? Agora?
-Sim, agora. Vê quais dos teus amigos que vir e despacha-te.
-Mas vamos para onde?- Perguntei.
-Ter com os pais.- Falou Fernando.
Assim que o meu irmão saiu o medo estabeleceu-se no meu corpo. Eu estava ali segura e teria que voltar para o meios daqueles monstros. No entanto eu sabia que devia ir, eu queria saber do meus pais, como eles estavam? Se eles sabiam como tudo aquilo tinha acontecido? Queria sentir-me segura nos seus braços como me sentia quando tinha pesadelos em pequena.
André e Diogo olhavam-me calados, pelas suas expressões dava para ver que também tinha algum medo. Embora eles não tivessem que vir.
-Então vocês vem?- Finalmente falei com uma voz um pouco fraca.
-Eu vou.- Respondeu Diogo.
-Já não tenho nada a perder, não é mesmo. É claro que aqui tenho o pessoal do bairro mas as respostas ao que está a acontecer estão lá fora.- Disso André com convicção.
Ouvi-se barulho de fora da casa, provavelmente do quintal. Eram gritos, mas não de pessoas assustadas, era de ordens dadas por vários homens.
-O que raio se passa?- Perguntei.
Os dois rapazes olharam-me e todos saímos pela porta num passa apressado.
Ao chegar à rua o caos estava instalado. O numero de zumbis tinha aumentado bastante e todos eles estavam batendo contra o portão. O barulho dos tiros era constante e doloroso ao ouvir. André e Diogo estavam atrás de mim com a mesma expressão de horror.
Um rapaz loiro aproximou-se a passo rápido e mandou:
-Vais buscar as tuas coisas. Vamos embora. DEPRESSA.
Corri até ao quarto em que tinha dormido e peguei na minha mochila, no caminho pude ver que André tinha feito o mesmo.
Chegamos novamente ao quintal, fui rapidamente ter com o meu irmão que se encontrava ao pé de V.
-Meu como podemos sair daqui? Porque tipo deixei o carro lá fora e aquilo está um caos.
V. olhou pensativo e depois respondeu:
- A duas casas à direita tem um mono volume de sete lugares com a chave na ignição.- A sua expressão tornou-se triste.- Fernando leva a minha irmã.-Pediu.- Isto aqui não vai durar muito e eu sei que tu vais tentar ir para um lugar seguro.

-V.. É na boa eu levo-a.
-Espera tomem, podem precisar.
V. deu a cada um de nós uma arma que pelo meu pequeno conhecimento era uma glock g-25 e algumas munições, para o meu irmão deu também uma metralhadora da qual já não sabia o nome.

Logo que peguei a na arma tive cuidado pois nunca tinha mexido nenhuma.
V. tinha ido chamar a Anabela enquanto Fernando informava-nos de como chegaríamos a tal casa, e não seria difícil chegar ao nosso destino visto que eles tinham ligação entre todas as casa e a em questão estava também a ser controlada por V. e seus amigos.
Anabela aproximava-se rapidamente a discutir com seu irmão.
-Eu quero ficar aqui convosco e ajudar.- Dizia a rapariga morena.
-Não, está fora de questão. Eu quero-te em segurança.
- E tu? Não posso deixar-te sozinho.
-Podes e vais deixar. Eu tenho de ficar, os nossos amigos estão a contar comigo.- Concluiu finalmente.
Anabela vendo que não podia ganhar esta guerra foi buscar suas coisas, apenas o essencial.
Quando voltou estava a chorar. Ela e o irmão abraçaram-se por um longo tempo. V. largou também algumas lágrimas.
-V. precisamos de ajuda.- Alertou um rapaz loiro.
V. soltou a irmã e declarou:
-Tens que ir.
-Vamos voltar-nos a ver?- Perguntou Anabela com perfeita inocência.
-Espero que sim.- E o lindo rapaz moreno largou a ultima lágrima.
Fernando agradeceu uma ultima vez  a V. e todos fomos em direcção ao portal verde que se encontrava na lateral. Fernando fez questão de seguir na frente, ninguém se opôs.
António também vinha connosco, apenas Mateus tinha optado por ficar, ele preferira lutar naquele mesmo lugar em vez de adiar uma luta que ele próprio achava inevitável.
As duas casas seguintes tal como V. avisara estava vazias e seguras, mas ninguém garantia que assim ficassem.
A casa onde se encontrava o carro no qual íamos estava uma porcaria, havia sangue e pedaços de roupas manchadas por todo o lado, um fedor horrível subia pelo meu nariz e recusava-se a sair. Pude ver alguns corpos amontoados a um canto mas recusando-me a continuar a olhar gemi e olhei noutra direcção. As caras do resto do grupo estavam tão ou mais horrorizadas que eu,a excepção do me irmão que olhava a garagem aberta onde se encontrava um carro.
-Vamos.- Disse ele. Todos o seguimos.
A garagem estava menos desarrumada que o quintal mas estava cheia de caixas de cartão, algumas formavam grandes colunas.
António e Fernando procuram ver se a chave estava de facto na ignição, mas para azar de todos não lá estava.
-Temos de a procurar.- Informou António.
Todos procuravam, no entanto a maldita da chave na queria aparecer. Sem que ninguém repara-se fui para o interior da casa.
Tudo no seu interior estava silencioso. Um sinal de morte.
A 1ª divisão onde entrei foi na sala, olhei em meu redor, na mesa, no sofá...nada. Então desisti e continuei a minha jornada. Passei pela casa de banho, pelos quartos mas nenhuma chave aparecia.
-Merda, isto tinha que acontecer logo agora.- Disse em voz alta.
Na cozinha tudo igual ao resto da casa... não...eu podia ver um objecto do meu interesse... . Era a chave!
Peguei na chave como se fosse um troféu.
Na minha cara encontrava-se um sorriso triunfante que não demorou a desaparecer.
-Ggggrrrr...ggrrr...- Rosnou uma mulher já de certa idade.
-É um deles.- Falei alto.
Eu queria fugir, mas convenientemente a mulher estava entre mim e a porta. O pior é que já vinha na minha direcção.
E BUMM!!!