2º Capitulo- Sair. Como?


Sei que não é o de Lisboa mas é para dar uma ideia
Agitei os meus cabelos loiros e prendi-os com um elástico. De seguida declarei:
-Se vamos sair daqui vamos precisar de algo que nos ajude. Isabel procura todos os objectos que nos possa ser útil como arma.
Isabel foi empenhada, já eu peguei na minha mochila das costas que fazia parte da minha bagagem e despejei-a. Depois voltei a enche-la com algumas roupas e comida, para o caso de precisarmos.
-Muito bem pensado.- Disse André, desaparecendo por uma porta e voltando a aparecer logo em seguida com três mochilas na mão ainda embrulhadas num plástico com o logótipo do Sumol.
-Aqui está uma para cada. Eu vou buscar garrafas de água, vamos precisar. Vocês encham essas mochilas.
E assim o fizemos, eu e o António fomos enchendo as mochilas com a comida que podíamos, pacotes de batatas fritas, bolachas, pão, entre outros deixando espaço para as garrafas de água e possíveis armas.
Uns minutos mais tarde, já o André tinha trazido as garrafas de água junta-mo-nos mais uma vez na mesa. Observando facas, colheres de pau.
António pega numa faca grande e diz:
-Bem vamos-nos despachar que eu não aguento ficar aqui mais tempo.
Guardando as facas e as plantas do aeroporto ficando apenas com uma faca na  mão estávamos prontos para ir, quando começamos a ouvir barulhos que pareciam vindos de animais a empurrar a porta.
-E aagora...?- Perguntou Isabel assustada.
- Agora vamos pelas condutas.- Afirmou André apontando para uma grade no canto superior da parede.- E depressa que aquela porta não deve durar muito tempo.
Subindo com cuidado, voltamos a colocar a grade. Sorte a nossa ser suficientemente grande para todos ainda que não desse espaço para grandes movimentos. Pois as condutas costumavam ser bem mais pequenas.
Meia-hora depois.
-Ainda falta muito?- Perguntei cansada e a transpirar.
-Não sei. Se ao menos consegui-se tirar as plantas mas isto é demasiado apertado.- Desabafou André.
-Vamos continuar a andar, deve haver uma saída para estes lados.- Incentivou o António.
Se aeroporto estava um horror eu nem queria saber lá fora. Nas condutas podia ouvir o som dos animais e alguns gritos de pessoas ainda vivas, mas esses gritos iam cada vez sendo menos a medida que o tempo passava.
Segundos pareciam horas, minutos pareciam meses. Continuávamos sem saber o caminho, e eu receava encontrar-me com um daqueles animais, se já nos filmes são assustadores na vida real nem queria imaginar. Eu sabia que havia de ter enfrentar os meus medos e bem depressa pois tinha quase a certeza que o meu encontro com aquelas coisas estava para breve.
Rastejando pelas condutas seguiram todos em frente menos que estava a atrás. Fiquei para a olhar o outro caminho que ia para esquerda. Como se tivesse à espera de algo.
-Marina!-Gritou André agora parado mais à frente.
-Já vou. Só preciso de ver por onde este caminho vai dar.- Informei.
-Eu não acho boa ideia, é melhor ficarmos todos juntos.
-Vão andando que eu apanho-vos. Sigam sempre em frente e se virarem deixem uma pista do lado que seguiram.
-Tens a certeza?- Perguntou o rapaz de olhos azuis.
-Sim vão.- Disse-lhe sem demoras.
Então virei. Pouco se via a escuridão era alguma naquele caminho mas os meus olhos já se estavam a habituar.
Continuei. Eu não sabia o que estava à procura, no entanto eu sentia que devia ir por aquele caminho. O ar estava um pouco mais húmido a medida que rastejei. Podia avistar já mais alguma claridade ainda que pouca. Ao chegar a uma grade pude ver a rua, já era de noite. Aqueles animais andavam, não andar não é a palavra certa, rastejavam seus pés devagar de um lado para o outro. Cobertos de sangue e cada um com pelo menos uma mordida no corpo.
Virei-me para trás, tinha de avisar os outros que havia encontrado uma saída. Fui o mais depressa que pode. Cheguei ao caminho que eles tinham percorrido e continuei na mesma velocidade. Podia ver que eles tinham já andado um bom bocado.
Ouvi um grito, pela voz uma rapariga, talvez Isabel. Acelerei, então avistei outra saída esta já sem grade, para além da saída vi paredes brancas.
Ao sair, André estava a lutar com um daqueles monstros para que o mesmo não o mordesse, António inconsciente contra uma parede e Isabel em pé observando o monstro com medo.
Peguei na faca que estava no chão e gritei:
-Hey!!Ó filho da  mãe!
O monstro olhou para mim, e deixando  André foi em minha direcção.
"Vamos a isto" Pensei.
No entanto quando vinha em minha direcção Isabel gritou. Estando perto dela apanhou-a e mordeu-a. Os gritos da rapariga foram ainda mais altos desta vez de dor, sangue saia sujando o pavimento. Não tendo coragem de olhar desviei o olhar.
A coisa largou a pobre Isabel e voltou-se novamente para mim.
-Marina!!- Avisou André.
Virei e levantando o braço enfiei a faca na cabeça do monstro. O homem caiu no chão sujando-o ainda mais com o sangue da sua camisa rasgada.
Assustada e ainda com os nervos à flor da pele caíram algumas lágrimas sobre o meu rosto, tinha acontecido tudo tão depressa.
André aproximou-se limpando a minha cara abraçou-me:
-Já passou, calma está tudo bem.
Como podia estar tudo bem se aquelas coisas andavam por aí a comer pessoas sem um pingo de arrependimento. Como podia estar tudo bem se a minha vida e a de muitas outras pessoas estava um horror. Como podia estar tudo bem se estávamos a viver um filme de terror daqueles que passam à noite para as crianças não verem. Olhei para António e depois para o corpo despedaçado de Isabel.
-É melhor sairmos daqui antes que venham mais ou ainda pior que Isabel se transforme num deles.
-Ok. Precisamos de acordar o António.-Fomos até o corpo encostado à parede. André molhou os dedos em água e passou-lhe na cara. António tremeu, e logo abriu os olhos.
-António temos de ir.- Avisei-o.
Levantou-se devagar e perguntou:
-Por onde vamos?
Observado melhor pude ver que estávamos na casa de banho dos homens e então informei:
- Por o caminho onde eu fui na conduta eu vi uma saída directa para a rua mas tinha mais daqueles filhos da mãe.
-Vamos por aí pelo que vi eles podem ser fortes e rápidos a morder mas não têm jeito nenhum para andar.
-O que  disseste?- Perguntei distraída olhando o corpo do homem que nos havia tentado atacar.
- Vamos pela conduta. Eles são lentos, nós escapamos-lhes.- Repetiu por outras palavras.
-Ok- Disse.
-Ok.- Repetiu António aprovando a ideia.
De repente ouvimos um barulho.
Virei-me rapidamente para o corpo de Isabel. Assustada pude vê-lo a tremer.
-Ela está a transformar-se num deles.- Gritei.
-Vamos.- Ordenou Antònio.
Era tarde demais aquela que já havia sido Isabel levantou-te e fez um barulho igual ao dos outros monstros. Como se estivesse a convidar-me para jantar omitindo que eu era a refeição.
Seus olhos vazios olharam-me, e começou a andar em minha direcção.
Tentei mexer-me, tentei pegar na faca e fazer o mesmo que fiz ao outro monstro. Mas fiquei paralisada olhando o animal aproximar-se com suas roupas sujas de sangue e rasgadas.
Podia ouvir André a gritar para eu fugir e António a puxar-me. No entanto nada fiz, imagens de quando eu era pequena começaram a vir-me à cabeça.
"Estava num parque no baloiço, o meu irmão tentava desesperadamente conquistar uma rapariga da sua idade, em minha frente. Seu cabelo loiro e encaracolado dançava com o vento. Eu seguia a sua melodia também, no baloiço indo para frente e para trás, para a frente e para trás, para a frente e para atrás"
-Cuidado.- Gritou uma voz desconhecida.
Ouvi-se um tiro. Quando olhei pude ver o corpo de Isabel mais uma vez no chão.
-Estás bem?-  Perguntou André preocupado.
-Sim estou.
-A menina devia ter mais cuidado. Porque não fugiu?- Disse uma voz grossa e um pouco velha.
Olhei pelo meu ombro e pude ver duas figuras umas delas com uma arma. Era dois homens, um já com os seus 55 anos de cor preta e com uma cara séria. O outro já mais novo com os seus 18 anos, loiro e alto.