1º Capitulo- Aeroporto onde tudo começou

Que bom era voltar após uma longa e cansativa viagem.
Fui buscar as minhas bagagens, no aeroporto ouvia-se o habitual barulho das conversas, algumas vozes destacavam-se, talvez pela sua proximidade, talvez pela atenção com que eu as ouvia.
Cansada, desejosa de tomar um banho e dormir, peguei nas minhas bagagens e fui até à entrada.
Sem atravessar a porta que dava para a saída sentei-me num banco de metal lá perto. Esperava pelos meus pais, atrasados como sempre, o que podia dizer, eles trabalhavam muito para que eu e o meu irmão tivessemos uma boa vida.
O meu pai trabalhava num laboratório de pesquisa de novas tecnologias, a minha mãe era médica numa clínica privada. O meu irmão, tinha 19 anos ia já este ano para a universidade de direito. Direito... não era eu.
As pessoas viviam as suas vidas a  pensar em si próprias, eu podia ver uma multidão de pessoas a andar empurrando-se uns aos outros com presa, de vez em quando soltando insultos.
De repente, com toda a agitação, uma senhora caiu, deveria ter uns 40 anos. Encontrando- se no chão tentou levantar-se, uma tarefa difícil já que a multidão mostrava-se indiferente continuando a andar, sem se quer parar para ajudar a pobre mulher.
Levantei-me e fui na sua direcção, estendi-lhe a mão.
-Obrigada. - Disse a mulher levantando-se e voltando à multidão.
Voltei ao lugar onde me encontrava antes, ao sentar-me senti o meu telemóvel a vibrar:
- Estou?
-"Sim, querida é o pai. Estou um pouco demorado, o transito está um inferno."
- Ok, pai. Eu espero.
- " Olha querida eu vou ver se me consigo despachar. Almoça que eu depois telefono-te."
- Até já.
-" Até já Marina, depois quero saber pormenores da viagem."
E desligou.
Guardei o telemóvel e mais uma vez levantei-me. Dirigi-me a um café nos demais que exitiam no aeroporto. Fui até ao balcão onde um empregado simpático e giro me atendeu.
- Bom dia, o que deseja?- Perguntou-me.
-Uma tosta mista e uma coca cola, se faz favor.- Disse-lhe olhando os seus olhos azuis esverdeados. Eu era muito observadora, sobretudo quando me convinha.
Observei o café, era um lugar agradável, em muito por não estar lotado como os demais. Suas paredes eram de um amarelo suave, em uma delas tendo um grande espelho.
-Aqui têm.- falou o rapaz.
-Obrigado.
O rapaz parou em minha frente e olhou-me:
- Então vai de viagem?
- Não, acabei de chegar. - Respondi-lhe dando uma trinca na tosta mista.
- Gostou da viagem?- Parecia que estava sobre um intorragatório.
- Olhe desculpe, mas porquê tantas perguntas?
O rapaz sorri e responde:
- Porque se eu a conhecer melhor talvez me dê o seu numero de telemóvel.
Olhei-o nos olhos:
- Bastava pedires.
Ele olhou-me também e os nossos olhares prenderam-se durante uns segundos. Então ouvi barulho de pessoas a gritar desviei o olha.
 Podia ver pessoas a correr desorientadas e gritos sem fim.
"Que raio se passa?" Pensei.
Com mais atenção vi o que não queria, pessoas atacavam-se umas às outras sem razão aparente. Simplesmente mordiam-se. Como era isto possível? Tinham enlouquecido?
Senti alguém atrás de mim, virei-me derepente. Era o rapaz do balcão, ele estava tão assustado como eu mas tentava manter a calma.
- Ajuda-me a fechar a porta. -Pediu-me.
Dentro do café ainda estavam outras duas pessoas além de nós, uma empregada bastante alta e um homem robusto de meia idade.
Ajudei-o a fechar a porta e logo veio o homem ajudar-nos a pondo um móvel em frente à porta..
-Que raio foi aquilo?- Soltei.
-Isso também gostava eu de saber. Já agora, chamo-me André.- Apresentou-se o rapaz.
-Marina.
-António.- Desta vez foi o homem de meia idade que falou.
Todos olhamos para empregada:
-Ah eu... sou a Isabel mas aqui o André já sabe.- Disse fazendo olhinhos ao seu colega de trabalho.
- Olhem não que queira interromper as apresentações mas não devíamos estar a pensar numa maneira de sairmos deste sitio.- Disse com razão António.
-Pois. Há uma planta do aeroporto no escritório, eu vou busca-la. - Informou o André.
-Isabel não é? Devíamos apagar as luzes, não vá chamar a atenção.- Pedi eu.
A rapariga entrou numa porta saíndo da minha vista.
-Bem pensado.- Elogiou António.- Todos os cuidados são poucos.
-Obrigado.
O meu telemóvel tocou novamente:
-" Querida, eu não sei o que se passa mas esconde-te num sitio seguro que eu e a tua mãe vamos buscar-te assim que possamos."
-Pai, onde estás?
-" Não preocupes"
-O mano. Ele está bem?
-"Acho que sim. Ele está..."- E a chamada caiu.
Uma lágrima escorreu-me pelo rosto. O que raio estava a acontecer.
Entretanto, o André voltou a entrar com uns papeis na mão, limpei a cara e juntei-me ao grupo que se formou em volta de uma mesa.
-Está tudo bem?- Perguntou-me André.
-Sim. Vamos lá começar.
Olhamos o mapa com atenção. Observamos as possíveis saídas. Mas tínhamos um problema não sabíamos onde aquelas pessoas, nem sei se eram pessoas, estavam, e pelo que tinhamos assistido eram perigosas.  Eu era ágil e rápida, tinha grandes hipóteses de sair daquele sitio ilesa. Mas e os outros? Conseguiriam? E eu ser ágil e rápida chegaria para sobreviver a este massacre?