3º Capitulo- Uma saída.Mais seguro aqui ou lá fora?

O rapaz loiro sorriu e aproximou-se, então pude ver que os seus olhos eram azuis como os do André. Apenas um pouco diferentes pois o esverdeado do André dava-lhe um toque especial.
-Olá, eu sou o Diogo.- Apresentou-se.
-Não há tempo para apresentações. Vamos!- Ordenou o homem mais venho, guardado a arma.
-Ele é o Mateus, era segurança neste sitio.- Informou-me Diogo indo em direcção à conduta.
-Esperem!- Chamei.- Algum de vocês tem ideia para onde vai quando sair deste lugar? Será mais seguro lá fora.
Disse a ultima frase num sussurro mais para mim que para eles.
-Marina?!- Suplicou André para eu me calar e entrar na conduta.
-Não esperem. Como vai ser? Vamos-nos separar quando chegarmos lá fora?- Eu precisava de saber.
André olhou para mim com uns olhos meigos e falou:
-Não quanto aos outros mas eu tenho que saber se a minha mãe ainda está viva. Tens família com certeza que deves compreender.
-Vamos?- Perguntou  Mateus com ar de quem se estava nas tintas para o que eu dizia.
-Vão vocês. Quando o meu pai telefonou disse para esperar aqui.- Havia tomado um decisão.
-Não quero desanimar-te a esta hora ele já deve estar morto. Tu viste como aquilo está lá fora.- Desta vez quem falou foi Diogo.
-Eu fico. Vocês vão.
-Marina tens a certeza do que estás a fazer?- Perguntou António, que ao que parecia estava preocupado- Tu à um pouco nem conseguiste fugir daquela coisa.
Apontou para o corpo de Isabel.
-Sim tenho.
André aproximou-se e deu-me beijo na testa e um papel.
-Se conseguires sobreviver, telefona-me.- Sussurrou-me ao ouvido.
Abracei-o e disse:
-Boa sorte para todos.- Podia ver uma lágrima a correr no rosto de André. Abracei também António e pude ouvir um comentário vindo de Diogo:
-Então e eu não tenho direito a um abraço?- Todos se riram com vontade, talvez pela ultima vez.
-Eu não te conheço assim tão bem mas está bem.- Abracei-o, parecia um bom rapaz. Todos pareciam ser bons, pena que não pudesse  tê-los conhecido em outra ocasião.- Talvez nos vejamos outra vez.
-Fico à espera.- Brincou Diogo animado.
Todos tinham um ar triste agora mas com esperança.
Após subirem a conduta peguei a faca cravada na cabeça do homem que antes havia morto e dirigi-me à porta de saída.
Entrei num corredor, fui devagar e em silêncio, pois não queria chamar a atenção dos monstros.
Se ao menos soubesse as suas fraquezas, em todos os filmes de terror que eu havia visto estas coisas só morriam se lhe acertasse-mos na cabeça, e para minha própria segurança era melhor que entrasse para matar.
Na esquina metros à frente pude ver uma sombra e ouvir pés a rastejar.
"É uma daquelas coisas." Pensei.
Um pouco assustada mas firme entrei em uma porta do meu lado direito. Fechei a porta. A sala era escura e estava rodeada de um silêncio que por momentos achei que me podia matar. Observando melhor pude ver que se tratava de um escritório.
Andei silenciosamente em direcção a uma porta no outro lado da sala, enquanto andava podia ver cadáveres e sangue espalhados pelo chão. O cenário metia-me nojo e medo, tantas pessoas mortas e que provavelmente tinham famílias  que esperavam que estivessem vivos.
"tili tili tili!!"
Pulei de susto, mas logo me acalmei quando percebi que era só o telemóvel.
Atendi e minha felicidade foi imensa ao ouvir a voz que estava do outro lado
-" Mana, estás bem?"- Perguntou o meu irmão Fernando.
-Sim estou, Onde estás?
-"Era isso que queria dizer, eu estou a chegar ai ao aeroporto. Tens alguma maneira de sair para a rua?"
Após alguns segundos respirei fundo e respondi:
- Sim, onde queres que esteja para me vires buscar?
-"O ideal era perto da porta principal."
-Eu vou tentar.- Ouvi um barulho vindo da mesma porta a que estava-me dirigindo. E disse.- Mano depois ligo-te que um daqueles monstros vem para aqui.
-"Ok. Mana?"
-Sim?
-" Sobrevive."
-Não te livras assim tão facilmente de mim.- Brinquei desligando o telemóvel.
Ouvindo o barulho daquela coisa a aproximar-se escondi-me atrás de uma secretária. O monstro parou em frente à porta e por segundos não fez barulho. Então afastou-se pensando que o jantar não estaria nesta sala.
Aliviada levantei-me e fui em direcção à porta por qual havia entrado. Rodei a maçaneta tentando não fazer barulho. Sai e dirigi-me então outra vez para a casa de banho masculina.
Para meu azar, já perto da porta, um daqueles monstros viu-me. Gritou alto o barulho típico daquelas coisas e começou a andar em minha direcção a uma velocidade bastante razoável . Depressa entrei na casa de banho e fechei a porta. O animal mal chegou começou tentar arrombar a mesma. Corri para a conduta. Como esta era um bocado alta e eu não tinha ajuda, peguei num caixote do lixo empoleirem-me e subi. Na subida o caixote caiu e o barulho do monstro aumentou fazendo aflição a todos os seres vivos que se aproximassem.
Seu barulho começou a diminuir a cada rastejo que  dava.
Virei na respectiva curva, e comecei a ouvir tiros e vozes vindas da rua. Vozes das quais eu conhecia.
Cheguei ao sitio do qual costumava estar uma grade e disse:
-Olá pessoal. Um de vocês que não esteja muito ocupado pode me ajudar a descer.
-Marina. Voltaste.- Disse André animado e agora distraído dos Monstros que aumentavam a cada minuto que passava.
Diogo e André ajudaram-me a descer.
Com um breve abraço eu e André separamos-nos e voltamos para o exército de monstros que se tinha acumulado.
Ao olhar para aquelas coisas sujas de sangue e com roupas rasgadas, pude a mulher que havia antes ajudado no que costumava ser a normal confusão do aeroporto.
-Alguma ideia?- Perguntou António a Mateus.
-Eu tenho de chegar à rua que dá para a frente do aeroporto.- Informei-os.
-Só podes estar maluca aque...
-Porque que precisas de ir para essa rua?- Perguntou André interrompendo Diogo.
-O meu irmão ligou... Ele vem buscar-me André.-Fiz uma pausa de segundos e continuei.- Vem comigo e eu levo-te à tua mãe.
-Eu não sei... e... eles.
Olhei-os a todos por breves momentos e finalmente falei:
-Eles também vem se quiserem. Só precisamos de chegar aquela rua.
-Podes garantir que ele vem?- Perguntou Mateus, dando um tiro em mais um monstro.
-Sim.Posso.- Respondi.
-Então vamos.- Disse Diogo enfiando um pau afiado na cabeça de um dos monstros.
Os monstros a cada momento cercavam-nos mais. Enquanto os rapazes os matavam. Eu tentava engendrar um  plano para sairmos dali.
"Voltar está fora de questão." Pensei olhando a conduta. "Como o café em que estávamos sabia tão bem agora."
Foi quando olhei para o meu lado direito e vi um contentor do lixo.
-Eu não se vai funcionar, mas se assim for temos apenas alguns momentos enquanto eles estão distraídos.- Gritei aos outros.
-Qual é o plano?- Perguntou António atarefado com uma daquelas coisas.
-É meio maluco.- André olhou para mim de maneira que eu contasse logo.- Vou atirar aquele caixote , ali e esperemos que chame a atenção da maior parte deles.
-Só isso.- Resmungou Diogo.
-Tens outra ideia?- Perguntei.
Então o rapaz de cabelos loiros abanou a cabeça negativamente.
"Ele tem razão nunca vai funcionar" Pensei.
-Vamos tentar.- Apoiou Mateus.
Então pus o plano em marcha, atirei o caixote do lixo para longe fazendo um terrível barulho. Foram poucos os que se distraíram.
No entanto começaram a vira-se e a andar em direcção a outro grupo de pessoas que lhes havia chamado a atenção.
-Vamos é a nossa chance.-Gritou Diogo.
Corremos a toda a velocidade. Quando chegamos a tal rua ainda não estava lá carro nenhum.
-Marina, onde é que ele está?- Perguntou Mateus um pouco irritado.- Tu disseste que ele estaria aqui.
Eu podia entende-lo, tinha-lhe prometido uma salvação daquele inferno.
-Calma.- Defendeu-me André.- De certeza que se atrasou.
-Pois. Mas como reparaste não temos tempo para atrasos.
Os dois quase se pegando à pancada viraram-se ao ouvirem o barulho.
- Marina, vamos entra.- Ordenou Fernando apressado.